quinta-feira, 24 de maio de 2018

Quando bate o gongo!

Enquanto viventes em sociedade, em nossa doente e senil sociedade brasileira, temos por hábito adquirido procurar problemas, no afã de reclamar, resmungar e ver as situações de maneira torta ou oblíqua, na ilusão de não trazer para si “olhos gordos” ou “maus presságios”. Somos ensinados, inconscientemente, a agir e ser dessa forma. É a doença que assola nossa raça. De tanto “pensar que pensamos”, estamos esquecendo de raciocinar e decidir pelo sinceramente correto, ao invés do mais fácil ou “politicamente correto”. Vivemos a correr, ter pressa, pensar adiante, “planejar o futuro” e tantas outras imposições da vida moderna, que deixamos passar batido, diariamente, os nuances e sutilezas que compõem algumas das maiores belezas da vida. O gole de café (ou o sorver do chimarrão, do tererê, como preferirem), o sorriso do transeunte, o aceno na rua, a risada despretensiosa do colega, o bom dia dos filhos, o desejo de bom trabalho do(a) companheiro(a). Ou os mais bucólicos: O raiar do dia, o sol brilhando, a névoa da manhã e seu poder de descortinar os sons já audíveis, o entardecer com todo seu charme de despedida, o vento batendo no rosto, o calor e seu convite silencioso ao “sair da toca”, o frio e sua quase ordem de aconchego, proteção. Enfim, uma infinidade de momentos e situações que nossas mentes ocupadas e aceleradas pela loucura das rotinas não se percebem. Nem vou entrar no mérito das músicas que deixamos de escutar para consumir o lixo cultural atual que nos chega de forma invasiva pelas rádios, televisões e congêneres. Esse assunto fica pra outro momento. Nesses momentos relatados acima, está muito da paz interior e tranquilidade que todos buscamos, uns mais, outros menos, mas todos buscamos. Desacelerar é necessário, faz bem e todo mundo sabe. “Mas pode ser depois”... “Agora não posso”... “Tô dando gás agora, depois diminuo”... “Só mais esse pega e deu”... E assim vamos emendando uma correria na outra e a vida vai correndo, o tempo vai passando, e nós dentro dessa couraça da loucura, sem ver nada e nem sentir nada do que é necessário ao coração e a alma, alimentando somente o cérebro. Até que a natureza, pelas mãos do criador e em sua sabedoria infinita, nos manda seus recados. E por vezes (não poucas) nos fazemos de desentendidos. O corpo padece, a cabeça “cansa”, e continuamos... Até o momento que o recado vem de forma mais dolorida, pra que se sinta e se entenda. E aí, a parada funciona. O sentimento de impotência aflora, e a atenção, que antes é utilizada para foco, abnegação, proatividade e outras, fica toda voltada a um só ponto: Doença. Triste sermos advertidos dessa forma, mas necessário. Não nos damos tempo, não nos permitimos ser salutares conosco. E aí, só resta lamentar. Mas vá lá. Se servir pra repensar os dias, rever conceitos, comportamentos e rotinas, já é um aprendizado válido. Claro que, desejamos acima de qualquer coisa, sairmos inteiros desses episódios. Não só pela cura, mas também de coração limpo e mente aberta para a continuidade. Isso é o que se apresenta como principal. Ter humildade para aprender, sempre! E não é nada simples, ainda mais de maneira “forçada” pela vida. Mas... e há sempre um mas em tudo, é uma baita oportunidade. Agarra quem quer e quem consegue. Depende de cada um! Eu opto por aprender, embora saiba das minhas dificuldades e limitações.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Mais um grande que vai...

Os ciclos da vida encerram-se ao natural, sem rodeios e nem avisos prévios. Fazem parte de nosso curso existencial e nada e nem ninguém pode mudar isso. Mesmo sabendo e tendo plena consciência disso, somos surpreendidos pelas partidas de nossos entes queridos. Dói bastante e fere fundo, fica o sentimento de pesar, um nó na garganta e uma tristeza profunda. Nos assaltam o pensamento todas as coisas que um dia pensamos em fazer e por ironia do destino ou por força das rotinas nunca chegamos a concretizar, a realizar. Destapam o véu da serenidade e irrompem as retinas lágrimas de saudade pura, de perda irreparável. Não só pelo fato de mais um dos nossos ter nos deixado. É pelo fato concreto de termos perdido um grande! Eu, na minha distante presença, carrego comigo exemplos tácitos, vividos e vivenciados. Assisti de camarote como se faz para ser um grande homem. Sempre vi dessa forma. Um grande homem, um grandiosíssimo Pai, um grande avô, um grande tio, um grande cunhado, um grande genro, um grande sogro, um baita padrinho e um verdadeiro amigo. Tu era uma raridade Balaço! Conheço poucas pessoas que transitavam em diferentes nichos de convivência com tamanha desenvoltura. Era bem quisto e bem relacionado com todos. Fruto da tua alegria contagiante, teu modo peculiar e feliz de ver a vida. E sempre vi que o segredo era a simplicidade. Ser feliz é isso, não tem frescura. Essa capacidade de demonstrar carinho e afeto sinceros à todos era cativante. Essa positividade e alto astral foram características natas. Era um querido! Jamais vou me permitir esquecer disso. Vibração alta, alegria, respeito com todos e vivência em família. Era nessa toada que levava a vida e equilibrava os dissabores. Esse é o legado que fica. Fez uma linda e exemplar jornada! Escreveu uma notável e prodigiosa história de vida! Foste um agregador! Trouxe sempre pra perto de ti a família, os amigos, os colegas, os companheiros. Isso é lindo! Poucos se dignam e se importam em fazer isso hoje em dia! Tu era diferenciado!
Mas... Todo ciclo se encerra. Até para os grandes! Te desejo apenas que tenha a certeza que partiu, que fez a passagem deixando a missão cumprida de forma exemplar. Foi um grande! Guerreiro, batalhador, incansável! Tu era um BAITA CARA! Tenho muito a te agradecer. Desde sempre, pra sempre! Todas as palavras que usar aqui não vão expressar meu sentimento, minha gratidão. Meu sincero e puro muito obrigado, de coração! Espero que sejas recebido de braços abertos, sejas luz e possa continuar nos guiando os caminhos, agora do alto. Vai com Deus Tio Demétrio! Descanse em paz, querido!

domingo, 24 de dezembro de 2017

Essas épocas...

Mais uma vez, se aproximam os dias de alternâncias de ciclos. Finda-se um com toda sua carga e inicia-se outro, com tudo aquilo que projetamos e queremos. Estes momentos de alternância, por si só, nos impelem à reflexões, à lembranças e desejos. Estas épocas trazem consigo momentos de sentimentos aflorados, muitos deles soterrados pela rotina e faina diária de outras épocas dos mesmos ciclos. Até os mais duros e cascudos tendem a demonstrar seu lado mais brando, mais humano. Os atarefados, hiperativos e workaholics se desprendem e entram no clima contagiante de final de ano. Aos mais emotivos, a oportunidade de sentirem pareados pelos que os rodeiam. Enfim, essa época do ano é mágica, todos sabemos. Mas não só pela influência dos planos astrais. É mágica porque a fazemos e a sentimos dessa forma. Nos atemos a procurar a família, a passar demorados momentos entre os que nos são caros. Nos despimos do exoesqueleto da rotina aflitiva do dia a dia, rompemos o claustro da correria e consumo desenfreado do tempo para parar. Parar e refletir. Nos damos tempo, nos permitimos olhar os momentos e ações mais singelas com os olhos travestidos de transparência. Olhamos e entendemos as ações de forma mais pura e mais honesta. Deixamos de lado nossa perspicácia e deixamos de aguçar a mente. Esses comportamentos característicos da época nos fazem mais simples e mais próximos. São os momentos que mesclam agradecimentos, súplicas e repensas. Nessas horas nos damos conta de que sempre podemos ser melhores. Sempre há espaço para ofertarmos nosso melhor. Na família, no trabalho, na comunidade, na sociedade. Nossas reflexões nos instigam à agradecer pelo que temos e tivemos. Pelos momentos passados e pelos deixados. Pelas oportunidade surgidas e criadas, pelos desejos atendidos, pelas orações dedicadas. Por termos opções e por conseguirmos, sempre que necessário, abdicar, renunciar, compreender e aceitar. Nesse clima de festejos e luminescência mundial queremos estender desejos de saúde, paz, alegria, felicidade e amor à todos, em especial aos que nos rodeiam. Exatamente isso que desejamos à vocês todos e às suas famílias.
De forma honesta e justa, desejamos que tenham um abençoado natal e um 2018 próspero e fecundo, com muita luz e paz no caminho de todos, sempre dentro daquilo que merecemos.
Feliz Natal e ótimo Ano Novo. São nossos mais sinceros votos.
Marcelo, Scheila, Davi e Clara.

domingo, 28 de maio de 2017

Fanatismo é ruim pra todos!

Tenho visto nos últimos tempos algumas contraposições através de discussões de cunho político via redes sociais. Se isso então isso, se aquilo então aquilo. Nada de posicionamentos firmes através do correto e certo, apenas posicionamentos firmes em defesa de um ou outro, nada mais. Me espanta esse tipo de enfrentamento. E me espanta mais ainda ver pessoas de suposto discernimento, capacidade analítica e crítica estarem afeitos a estes embates. Isso é ridículo meus caros. Enfrentamentos do tipo fulano errou mas beltrano errou também é a mais pura confissão de apoio ao que está errado. E se está errado, está errado pra todos. Adiante disso é fanatismo. E fanatismo, todos sabemos, faz mal, não traz benesses pra ninguém. Muito pelo contrário, leva ao extremismo, e este, temos visto no dia a dia que retira qualquer possibilidade de diálogo e debate de ideias.
A questão tem sido posta entre defensores do suposto socialismo que está ou estaria sendo implantado no Brasil, e os críticos dele. Nada contra defender o que se acha certo. Apenas reitero que o que deveria estar sendo defendido é o certo mesmo, e não o erro de um em detrimento do erro de outro. Isso é perder tempo com bobagem. Aqui vale o ditado: “O certo é certo mesmo que ninguém faça e o errado é errado mesmo que todo mundo faça.”
E sabemos bem que nosso sistema político como um todo é, infelizmente, uma podridão só. Se escapam raras exceções, e estas exceções não alcançam posições de lideranças porque o sistema é auto excludente. Ou joga o jogo sujo do poder ou fica de fora. Pasmem, mas é assim.
Entenda-se como jogo sujo do poder aquele que inclui os três poderes, pois nenhum se salva. E como os três, no todo, englobam algumas dezenas de milhares de indivíduos, se estabelece uma relação de “troca de favores”, onde todos vão recebendo algo em troca de um comportamento pessoal e profissional que não perturbe a locupletação geral. Triste, muito triste, mas extremamente real.
Se quisermos, podemos incluir aí um quarto poder, não instituído, porém extremamente conhecido por todos e altamente atuante, como os fatos recentes tem demonstrado, que é o ramo das lideranças empresariais. Tão despido de pudores e escrúpulos quanto os outros três. A ressalva fica por conta que há neste, até que se prove o contrário, um percentual maior de gente honesta.
Voltando aos embates ferrenhos, o que se vê são os apontamentos de um lado e de outro como forma de defesa, dando um recado do tipo: “os meus erraram, mas os teus também.” Que é isso minha gente? Perderam a noção do ridículo? Ou foi a vergonha no semblante que se esvaiu? Tá errado! Não importa quem fez!
Sou incisivo em dizer, mas já passou do aceitável o posicionamento da galera da esquerda. Estão vendo as provas, estão vendo os indivíduos serem condenados e gritando “heróis” “vítimas”, “lutaremos por vocês”. É patético vê-los assim. Dá vergonha. Caiam na real. Roubaram? Cadeia! Pra todos, não importa a tendência ou partido. Estão passando a mensagem de que roubar é bom e faz parte. É isso que desejam? É esse o ensinamento que pretendem passar para filhos, netos e demais?
Nesse ponto, aqueles apontados como sendo “de direita”, estão um pouco mais lúcidos. Não vi, até agora, nenhum defendendo A ou B. Vi todos dizendo que se roubou, cadeia. Acordem minha gente! Quem defende ladrão e corrupto só tem duas opções plausíveis: Ou é afeito à prática ou é alienado. Se bem que essa última opção anda cabendo bem para descrever uns quantos. Aí não adianta querer discutir, pois fanatismo está fora de discussão.
O único brado que deveria haver nas ruas é: TENHAM VERGONHA NA CARA, LARÁPIOS!
E cadeia pra toda essa corja de sem serventia que espolia o povo diariamente.
É isto que todos deveriam gritar. O resto serve só pra dar argumentos para ambos.
Divergir faz bem, auxilia na construção de entendimentos e fortalece os diálogos, tanto no presente quanto no futuro. Mas partir da divergência de ideias e opiniões para a agressão e xingamento é, antes de qualquer coisa, feio. Demonstra pequenez de caráter e falta de educação, pra começar. Afora que deixa claro que a intenção é apenas discutir por discutir, sem apontar rumos e possíveis soluções.
Partir para o vandalismo, o quebra-quebra, o enfrentamento físico em nome disso é a mais pura representação da burrice. Isso mesmo, burrice! Ou alguém acha que enquanto tem uns atracado no pau algum desses vagabundos dos quatro poderes está preocupado? Eles, sem exceções, estão dando um jeito de tirar proveito da situação, como sempre fazem. Procurando garantir o seu, mais nada!
Lula roubou? Cadeia! Dilma roubou? Cadeia! Temer roubou? Cadeia! Aécio roubou? Cadeia! Cunha roubou? Cadeia! Renan roubou? Cadeia! Odebrecht pagava propina? Cadeia! JBS pagava propina? Cadeia! E assim pra todos! De um lado e de outro. O raciocínio é simples. A dificuldade está na punição. A hora que houver punição, essas práticas começam e desaparecer. E quem passa a fazer parte do sistema já chega sabendo que pode ir pra cadeia caso não ande na linha. Aí podemos ter esperança em um país verdadeiramente melhor. Senão ficamos igual cachorro: Correndo atrás do rabo. Deixem a lava jato andar, deixem a zelotes, a carne fraca, e todas as que surgirão cumprirem seus propósitos. Só assim poderemos ver como ficará. Atrapalhar antes é tudo que políticos e empresários corruptos e sem vergonha querem. É necessário que quem foi e será preso fique na cadeia, deixem quem foi absolvido quieto, deixem os juízes e promotores terminarem o serviço e depois critiquem.
Boa ou ruim, nossa esperança de melhorar o país passa por esta situação. Vai ser mais doloroso pra uns, menos pra outros, mas é necessário.
Repensem as atitudes ridículas de andar defendendo estes crápulas, pedindo “fulano 2018!” Parem de dar oportunidades para esses desclassificados se intitularem “vítimas”. Isso é tudo que não são. E o tempo senhores, se encarregará de demonstrar.
Por hora, pensem em gastar energia pedindo o certo, e não este ou aquele. Deixem de ser ridículos! Peçam um país melhor, mais sério, mais idôneo. E comecem pelos seus municípios, seus vereadores, seus secretários e assessores, seus prefeitos e vices. Já será um bom começo!


quarta-feira, 8 de março de 2017

Mulheres

Nossas rotinas frenéticas de hoje em dia impõem uma correria diária que faz com que acabemos por não ter tempo de apreciar com maior atenção esses seres em constante modificação exterior, mas que mantém todos os atributos que lhe são natos desde a criação. Dignas de profunda admiração e aprendizado para quem se dispõe a tanto. Atualmente, são empresárias, vendedoras, motoristas, operadoras, construtoras, engenheiras, arquitetas, médicas, doutoras, gerentes, diretoras, executivas, e tudo o mais que querem, desejam e se propõem a ser. Possuem a capacidade de gerir, ordenar e comandar com gestos leves e palavras suaves, são firmes sem serem rudes e se impõem sem usar força. Apesar de assumirem todas essas atribuições e responsabilidades, não abandonam sua essência e jamais deixam de cumprir sua missão no mundo: Levar graça e beleza, colorindo e tornando o mundo mais afável, menos rude, mais doce. Trazem ao convívio a sutileza e o requinte típicos de quem vive a plenitude do amor verdadeiro. Hoje, mesmo sem nos esmerar diariamente para demonstrar, confessamos: Passamos a entender a simplicidade de seus gostos: Gostam do melhor de tudo! E este melhor não é precificável, não é quantificável. É vivido e sentido. É visto com os olhos límpidos e sinceros do coração. Nos permitem, pelo simples convívio, eternizar em nossas retinas momentos singelos, dotados de extrema delicadeza, quando vividos ao seu lado. Juntamente com a diversidade de formas, jeitos e cores, distribuem sorrisos claros, que descortinam suas almas grandiosas e revelam seus corações calorosos. Sua capacidade de amar não conhece limites e sua abnegação desconhece obstáculos. Carregam consigo a força da multiplicação da natureza. Dom de Deus. E por Ele são abençoadas. Agem para proporcionar bem-estar a todos que as rodeiam, e com isso alimentam sua essência, pois tem em seu íntimo a crença verdadeira de que fazer o bem é plantar bons frutos para serem colhidos no amanhã. E assim seguem seu caminho, de forma plena e altiva.
Neste momento, em que reverenciamos a força da feminilidade, lhes cumprimentamos de forma gentil e carinhosa por tudo que conquistaram e lhes homenageamos pelo que de melhor fazem a todos: Serem estas maravilhosas mulheres, às quais temos o prazer e o privilégio de podermos conviver!
Parabéns pela passagem de seu dia!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Tigre de coração grande!


Muitos não sabem, muitos ignoram e muitos não percebiam. Mas nossa convivência sempre foi marcada por significados. Mais que qualquer outra titulação ou convenção, o Tigrão sempre foi um amigo sincero, leal e verdadeiro. Daí parte muito do que sempre digo, que somos abençoados por podermos aprender que os primeiros amigos se fazem dentro de casa. Era um incentivador e torcia pelo bem de todos em todos os aspectos. Muitas situações de aprendizado de vida que carrego comigo foram com ele que passei, foram com ele que aprendi. Dizer isso nesse momento pode parecer estranho e oportuno, mas guardo comigo preciosos ensinamentos. Dentre eles, o que destaco, pelo uso diário, é o de ter aprendido a “ler” uma pessoa pelas suas atitudes e não por seus discursos. Coisa que aprendi dele e do Baita (e acredito que pelo convívio deles)... É algo que me apropriei e fiz uma maneira de postura para o convívio em qualquer nicho ou segmento, seja ele social, profissional ou familiar. Afora algumas situações que marcam forte, como a primeira conta em banco, o encaminhamento do RG, a CNH aos dezoito anos, entre outras. Todas passagens com a sua presença, orientação e incentivo. A despeito de seu gênio difícil, tinha um coração enorme, onde habitava uma bondade imensurável! Jamais se negou a fazer algo por alguém. Jamais reclamou de ter que sair de seu conforto por um dos seus (Tá, ele resmungava um pouco, mas sempre ia). Tinha um senso de justiça apurado e sempre estava equilibrando as situações. Do seu jeito e com sua marca, ao longo dos anos nos ensinou que era possível ensinar pelo sim. Obviamente sabia dizer não como poucos, mas embora muitos pensem o contrário, o sim era algo presente em seu jeito de ser. E o seu sim ensinava porque sempre vinha junto de um pedido de maiores explicações, da perscrutação do motivo dos fatos e de uma inquisidora explicação do porquê daquele sim. Dentre suas frases rotineiras, a que mais eu lembro de ter escutado era a resmungada célebre: “É, vocês acham tudo fácil!” Sempre que escutava isso sabia que com ele estava tudo em ordem, tudo numa boa. A outra era a ironizada de boas-vindas: “Óóóó bicho! Resolveu aparecer é...” Hahahaha. Acho que ele já sabia que eu ia rir, por isso sempre a repetia. A última vez que pude conversar com ele, já convalescente, me surpreendi positivamente. Discutimos sobre alguns fatos que necessitavam uma tomada de decisão deles. Estávamos eu, ele e a vó. Eles sentados na área dos fundos e eu em pé do lado de baixo. Debatemos por um tempo sobre o assunto e não concluímos nada, pois a mim nem cabia conclusão alguma, estava ali somente para ponderar. Depois passamos a outros assuntos até que estava de saída. A Vó tinha entrado, me despedi dele e fiz menção de ir. Foi quando ele me chamou de volta e me agradeceu. Fiquei sem entender direito e perguntei de volta. “Obrigado pelo que Vô?” Eis a resposta: “- Por nos ajudar a pensar sério de novo!” E concluiu, após uma bela tragada no seu inseparável pito: “- Tu continua malandro, é sempre o mesmo. Não deixe que te mudem meu filho.” Pode ter plena, total e absoluta certeza vô. Mudamos rotinas e hábitos. Nossa natureza ninguém modifica! Aliás, ele sempre me classificou como malandro e eu não entendia o porquê, até que um dia resolvi o indagar e recebi a seguinte resposta: “Porquê malandro faz certo. E deixa todo mundo babando porque esperam dele o errado.” Ponto de vista interessante, não? Tigrão era uma figuraça!!!
Outra coisa que aprendi com ele foi que, enquanto é possível, devemos aproveitar a vida, conviver com os que nos fazem bem e volta e meia nos entregar aos prazeres. Afinal ninguém é de ferro. E uma festinha com gente querida sempre vai bem.
Quis o destino que saísse de cena em um dia de chuva, para que a água lavasse a alma e limpasse o pranto de quem fica. Fez a passagem cercado dos que o amavam e rodeado de boas lembranças. Ficamos nós com os ensinamentos e as lembranças ternas desse longo tempo de forte convívio. Obrigado Vô Ciro! Nosso carinho, nosso amor e nossa gratidão serão eternos!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

À Elas!

Não sou dado à discussões sobre gênero. O faço em algumas oportunidades. Na maioria delas para tirar onda ou incomodar alguém. O que consigo na maioria das vezes. Porém, dificilmente, para não dizer nunca, essas manifestações expressam minha opinião a respeito do assunto. Convivo bem com a pecha de machista, retrógado, antiquado e afins, pois, a grande maioria das pessoas que tentam me rotular sequer se prestam para debater o assunto ou simplesmente conversar a respeito. Julgam e rotulam com base na minha maneira de vestir, forma de falar e gostos culturais. Esquecendo que o que estão fazendo é serem tão ou mais preconceituosas do que o que tanto dizem combater e não aceitar. Como o discurso se opõe à prática, deixo que se expressem e falem o que bem entenderem. Me preocupo em ser eu mesmo, não fazer mal a ninguém e sempre que possível, fazer bem. À família, aos amigos, aos colegas, aos animais (sim, a eles também!), às plantas e a quem mais puder ou precisar.
À essas que se preocupam tanto em levantar bandeiras porque fizeram delas um de seus motivos de vida, felicidades! Às que gostam de bate boca para preencher suas vidas, felicidades! Às que criticam com veemência minhas sátiras e ironias, felicidades!
À todas vocês, ofereço somente um espelho para que possam se contemplar, fitar os próprios olhos e repensar suas maneiras de discursar e agir. E nesse momento, aproveito para lhes lembrar: Falar é tão fácil que até papagaio aprende!
Enquanto se disserem feministas, combatentes da diferença de gêneros, intolerantes ao que supostamente definem como machismo, lhes lembro: Há várias atitudes que vocês não gostam, o que é plausível. Porém há muitas que deixam clara a diferença e são incentivadas por vocês mesmo. Em alguns casos nos cobram que as tenhamos. Ou nunca pediram para um homem fazer fogo? Carregar objetos pesados? Acompanhar a manutenção do carro? Falar com o pedreiro? Arrumar o jardim? Limpar a piscina? Assar o churrasco? Instalar o botijão de gás? Para ficar somente em alguns exemplos. Não acho isso errado e tampouco me importo em fazer, tanto espontaneamente quanto por pedido. O que não cabe é pregar a popular moral de cueca. Querer e bradar por igualdade total pensando somente em benesses é falácia. Aí a coisa complica. Igualdade é igualdade em tudo, para todos. Infelizmente, o mundo e nossas sociedades não são perfeitos, longe disso. E vamos continuar vivenciando atitudes grotescas, cenas dantescas e afins. Tanto de um lado como de outro. E sim, há diferenças entre os gêneros. E não são poucas. E infelizmente temos péssimos exemplos de ambos os lados. O que não dá para aceitar é um querer ou se portar como sendo superior ao outro. Isso não é legal. Não é aceitável. De resto, é zoação e gozação.
Neste ínterim, me permito um recado direto às críticas de plantão com as quais convivo e/ou tenho laços: Vocês todas, sem exceções, não são maltratadas, não são alvejadas e sequer passam por situação alguma dessa ordem quando junto de um de nós. E muito provavelmente nunca pararam para refletir o porque disso. Pois lhes explico: Porque não permitimos. Não por intimidarmos alguém ou algo do tipo. Não permitimos por nossas atitudes cotidianas e naturais de convívio. Pelo simples fato de tratarmos a todas com carinho, educação e respeito, sem importar quem seja, onde esteja e o que faça. A igualdade de tratamento entre todos é presente em nossas ações e atitudes. Aprendemos a ser assim desde sempre. Temos como um dos pilares de nossa educação de berço o respeito. E onde tem respeito muita coisa se extingue de imediato. O preconceito e a superioridade inclusive. É nosso comportamento junto e para vocês que traz essa “blindagem” invisível e protetora. Gostem ou não, é isso que acontece.
Fomos moldados dessa forma, admirando as mulheres e convivendo com elas de forma harmoniosa e amorosa. Só isso...
Portanto minhas caras, antes de sair vociferando e se enchendo de argumentos estapafúrdios e vazios, lembrem de como é bom estarmos juntos, celebrando nossa igualdade e carinho e analisem se vale a pena esses discursos inflamados sem nexo.
Guardem os mesmos para outros ambientes sociais, onde podem ser usados com a certeza de que terão um efeito bem maior.
Fica a dica!