domingo, 15 de março de 2009

Conceda-nos!

União, pra quando um vier a cair
Todos estendam a mão pra levantar
Apoiar, afagar e recolocar nos rumos
Soberania, pra quando um chegar ao topo
E surgirem as palmas, elogios e lisonjeios
Essas não façam com que perca o rumo
Acuidade, pros aprendizados silenciosos
Que o convívio íntimo propicia
Resignação, pros defeitos que aprendemos
A aceitar aos poucos uns nos outros
Paciência, pras diferenças que entre nós existem
E com elas passamos a nos aceitar como somos
Compreensão, pras individualidades e vaidades
Que aturamos dia-a-dia em nossos meios
Calma, pros egocentrismos que temos
E somos obrigados a tratar diariamente
Intelecto, pra entender e aprender com nosso passado
Despreendimento, pra compreender nosso presente
De movimentação, correria e faina diária
Esperança, pro nosso futuro de realizações
Cuidados, amparos e felicidades
Discernimento sempre, pra mantermos
A vida nos trilhos, com decência
Altivez, pra continuarmos a ser grandes
Quando a derrota se fizer presente
Grandeza, pras pequenas mazelas
Que a vida nos coloca à frente
Coragem, pra seguir adiante
Suplantando dificuldades e obstáculos
Paz de espírito, pra acalmar
Quando a alma se inquieta e se revolta
Força, pras horas brabas e difíceis
Que atormentam a vida de todos
Bondade, pra quando irmãos
Necessitarem de mãos amigas estendidas
Solidariedade, pra trazer de volta aqueles
Que se perderam no meio da caminhada
Companheirismo, pra manter ao nosso lado
Quem fica, quem retorna e quem chega
Alegrias, pras horas felizes vividas juntos
Pras horas felizes vividas a dois
Pras horas felizes vividas sós
Pelo simples fato de sabermos
Que lá estão, que assim são
Que assim seremos e continuaremos
Se assim puderes nos conceder, é claro!
Obrigado!

segunda-feira, 2 de março de 2009

No Quatro Dois

Nem bem se adentra o Stella
E já se sabe o que se encontrará
Na portaria sai um olá pro “Maugo”
No elevador um papo com a vizinhança
No corredor cheiro de bóia
Barulho e risada do povo reunido
Abrindo a porta se depara com a muvuca
Vem se achegando e cumprimenta todos
Saca de um copo e se serve, brinda pela parceria
Dá uma olhada em todos os cômodos
Pra ver se não falta ninguém
Pega um vento na área dos fundos
Enquanto uns incendeiam crivos
Toma um sol no rosto na sacada de frente
Balançando quem tá na rede
Dá uma passada no “seicho-no-ie”
Olhando o movimento da feirinha
Busca pazinha e vassoura na dispensa
Pra limpar os cacos do copo que se foi
Ao passar pela cozinha “lhe gusta” o aroma
E pega mais uma das de cima
Volta pra sala, e se atraca na cantoria
Violão em abundância, e som bueno pro descanso
Filme, show, jogo, seriado ou jornal
Pouco importa nessas horas
Vale pelo povo que tá ali
Alegria, diversão, parceria
Gente boa, companheirismo
Alcunhas normais pra quem conhece
Jeito simples de quem frequenta
Esse é o Quatro Dois!
Firmado e continuado pela amizade
Vivido no estilo que se consegue
Aberto sempre a todos
Habitado por gente simples, mas buena
Indiada que se vira, peleando no dia-a-dia
Mas que sabe bem o valor de uma amizade
E também a valia de um leito
Por mais simples que ele seja
Oferecer algo que ajude, faz parte
Dessa moradia simples e humilde
Onde o respeito e os princípios
Regem a convivência diária
Nivelando particularidades, atenuando diferenças
E deixando tudo em harmonia perfeita
Ali cabem todos os gostos, todos os jeitos
Cada forma de viver, de agir e pensar
E, por mais que um venha a não gostar
Sempre há diálogo pra tudo se acertar!
E se ainda não conhece ou não freqüenta
Ta perdendo tempo, venha logo
Com certeza vai gostar de se achegar!
Salve Quatro Dois!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

LORENZO!

Nem bem se soube de ti
Já vieste ao mundo
Privado por alguns dias
Assim mesmo alegrando todos

Trouxe contigo novos ares, novas cores
Iluminando nossas mentes,
Arejando nossos pensamentos
Próprio de quem veio pra unir, somar

Passaste maus bocados
Junto com quem mais te ama
Isolado, sentindo apenas a energia positiva
De uma multidão que por vocês torce sempre!

Em teu pequeno leito dava exemplo de guerreiro
Lutando sempre, com garra, com coragem
Não deixando pequenas mazelas
Tomarem conta de teu corpo ainda frágil

Tua grande vitória renova nossas esperanças
Reascende nossas mais puras alegrias
Recicla nossas vidas, modifica nossos sonhos
E nos une, nos achega, nos complementa

Saudamos a ti, pela graça, pela pureza
Que só as crianças carregam
Sonhamos e almejamos que tenha
Uma vida inteira de alegrias e realizações

Torcemos pra que sejas sempre
Um dos nossos, e dos bons!
Que tenha sempre um mate bem cevado
Como tua mãe bem faz!

Que saiba produzir e escolher bons cortes pros churrascos
Com a mesma excelência do teu pai!
E mais que isso, que carregue a alegria de viver
Tão marcante e admirada nos dois!

Que saiba dosar na medida certa
Caráter, bondade e humildade
Que tenha sempre em mente
Princípios, valores e compreensão

E, é claro, que faça da vida de teus avós
Tios, primos e parentes
Um jardim de alegrias, confusões e traquinagens
Pra termos toda certeza da tua origem!

É isso que a vida te guarda, inteiramente
É esse o destino de quem nasce pra ser grande
É isso que queremos pra ti, com toda sinceridade
Por que tu é dos meus, dos nossos, Tu não "SE AFROXA”!!!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"Boiamentos"

Do entrevero surgem as idéias
Do debate sobressaem-se os gostos
No acerto fica tudo combinado
E num instante se vai porta afora
Seguindo o rumo da feira e do mercado

Feito o rancho, com calma e altivez
Dá de volta, bem provido e carregado
Divide as despesas mais uma vez
E num piscar fica tudo ajeitado

Salga a carne, pica o tempero
Acende o fogo, esquenta o “de oliva”
Ferve a água, meio ligeiro
Pra não demorar com a comida

E segue lidando, na manha, com jeito
Atende as panelas, entre um gole e outro
Papeia com calma, organizando a cozinha
E pra dar mais cor, Shoyo e caldo de galinha

Na hora de dar o apronte da lida
Puxa dos talheres e da prataria
Arruma a mesa bem a preceito
E serve a bóia, deixando quieta a parceria

Vai sendo degustada, despacito
Entre um comentário e outro
Surgem elogios, piadas
Mas vai tudo e não sobra nada

Depois de todos bem satisfeitos
Inverte-se o processo, e recolhe-se a tarecada
Vai pra pia os sujos e lambuzados
E pra cuscada os restos e sobras até da salada

Louça limpa, chão varrido
Mesa desarrumada, cheia de copos
Destampando as garrafas, continuando
A se divertir num jeito bem nosso

Assim acontece o “boiamento”
Sempre feito na parceria
Recheado de prazer e alegria
E com gente de fundamento!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Concluindo!

Se olhos e mente não se entendem
Relacionando passado e presente
Se desejo e respeito se confrontam
Misturando emoções e vontades
Se querer e fugacidade
Embolam-se em luta voraz
Se calma e diálogo tranqüilo
Apavoram-se diante de alguém
Se toques de afeto e proximidade
Fazem ficar perdido e atordoado
É hora de retirar-se ao casulo
De procurar a razão
De controlar a emoção
De domar o desejo e a impulsividade
De fazer-se grande, ter altivez
De cumprir o prometido
Respirar aliviado, mesmo faminto
Embora a sono não venha
A saudade fale alto, dominando
Só é homem quem sabe
Tudo o que poderia acontecer
Tem nas mãos a possibilidade de fazer
E vê, entre tudo, a melhor atitude
Zelar por quem gosta e admira
Ver revigorado e em paz
E deixar por conta própria
Pois o que seu deve ser
O destino dele se encarrega e traz!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Serás Luz!

Serás luz como candieiros pampeanos
Iluminando nossas conversas ao pé do fogo
Sorvendo chimarrões bem cevados com largos sorrisos

Serás luz como lampeões de campanha
Para iluminar nossas festas e reuniões
Com danças e cantos recheados de felicidade

Serás luz como velas solitárias em ranchos
Para iluminar os cômodos de nossa existência
Amainando nossas solidões e distâncias

Serás luz como o fogo que arde em labaredas
Alimentando-nos corpo e alma
Enquanto continuamos a lutar em vida

Serás luz como os faróis de navegação
Que mesmo isolados e solitários mantém o posto
Zelando pela integridade de quem se aventura
Por mares revoltos e caminhos desconhecidos

Serás luz como tochas iluminando a escuridão
Para nos guiar, mostrando e desviando dos perigos
Enquanto seguimos em frente, sempre!

Serás luz como estrelas em belas noites
A nos brindar com sua simplicidade e beleza
Transmitindo-nos paz e acalanto

Serás luz como a Lua em sua mansidão
Banhando chão e mar, mato e rio
Eternizando existências, firmando uma raça!

Serás luz como os raios do amanhecer
Que desvelam, ascendem e renovam o dia
Para mostrar que novas esperanças existem
E nelas é sempre possível acreditar

Serás luz como o Sol, Astro-Rei
Que com sua força e magia dita e rege o ritmo da vida
Para mostrar-nos que tudo tem seu tempo e sua hora

Serás luz como sempre fostes, enquanto conosco estivestes
Serás luz cada vez mais, por que assim deves ser!
Serás luz por ti e por nós, eternamente, Dona Plácida!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Compreensão

Nada pode ser tão incompreendida como a dor
Talvez pela forma como se prende em nosso ser
Talvez pelas marcas deixadas ao longo do viver
Ou ainda pela inconformidade do amor

Não há algum partir que não comova
A ida de alguns nos sensibiliza
O chegar de outros nos realiza
E o nascer de frutos nos renova

Afloram sentimentos de pura alegria
Desatam-se nós de incompreensão
Não se vislumbra a dimensão
Mas visualiza-se a tristeza que se sentia

Em pé se enfrentam batalhas
Com firmeza se vence a tormenta
Com altivez a façanha se comenta
E com pesar se estende a mortalha

No caminho sinuoso do mundo
Percorrido todo de sentimento
Colhido momento a momento
E vivido de modo profundo

Conhece-se a rudeza da vida
Do jeito mais rústico e penoso
Mas não há de ser mal e nem danoso
Pois existe Deus pra dar guarida

Não hemos de ficar ao léu
Pela súplica à Virgem Maria
O tempo aplaca a sangria
E Pai nos encaminha pro Céu

E assim manso, calmo e sereno
Se finda o caminho e a trilha
Entendemos como é maravilha
Deixar o mundo terreno!

Não por ser malo o viver
Mais pela humilde compreensão
Da imensa sabedoria e resignação
Que um dia, tudo vem a morrer!