segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Co´s loro comprido!

Faltou comando no arreio
Se foi a firmeza “das perna”
Esculhambou-se no arreio o campeiro
E perdeu a volta do laço
Correu solito o mascarado
E tapou o “cavalo véio” de nojo
- Encurta o loro parceiro!
Era o grito que se ouvia
Vindo do fundo da cancha
Vira pra baixo o garrão
E firma a bota no estrivo
Que toda a força no laço
Provém de uma boa estrivada
- Nanico com mania de “pernudo...”
Gargalhava o Gordo no brete
Deu ouvido pra companheirada
Se apeou, e se pôs a ajeitar “os caco”
Montou e deu de volta
Cruzou pro outro lado do brete
Que canhoto é incomodativo no rodeio
Se ajeitou, arrumou o laço
E abriu o peito pedindo boi
A brasina oveira corneta
Sai zunindo, trompando a cancela
E o tostado velho atropela
Encosta bem na paleta
Vai levando firme por diante
Abre só no deitar da perna
Não necessita tinir as esporas
Nem bulir “as cana” da rédea
O trançado viaja “de contra” o vento
E cai “na toca” bem cerradito
Atestando a prova de campeiro
Provando o calibre do braço
E tudo fica pelo que era certo
- Faltava andar bem estrivado!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Passagens existenciais

Existem certas passagens da vida que por força maior, dessas vindas de dentro, do âmago do indivíduo do bem, que acabamos por não viver, não vivenciar. Normalmente nos referimos a festas, bailes, comemorações, etc.
Sim, novamente estive diante de um desses eventos que fazem parte do extenso rol de acontecimentos imperdíveis que eu perdi! Optei por não ir, muito embora esse tipo de situação seja vista como impeditiva, não, não é, é opcional, dá pra ir. Mas, e há sempre um mas em tudo, nessas horas se tem um bom parâmetro do que importa, do que pesa, do que se tem e do que se leva como prioridade na vida. E eu sou assim, pra mim, o profissional e o pessoal andam separados, e a linha que define as prioridades é bastante tênue, apontando ora pra um, ora pra outro, tudo dentro de determinadas circunstâncias. Mas não foi o caso, tive pleno entendimento por parte dos colegas e superiores. E maior ainda dos principais envolvidos nessas situações todas.
Vejo as fotos e me abre um vazio no peito, todo mundo reunido, alegria, descontração, felicidade total! Show de bola, nota Dez! Que bom que a parceria toda aproveitou! Eu fiquei, e fiquei por opção, porque julgo importante e imprescindível estar onde precisam de nós, onde podemos realmente fazer alguma diferença, onde podemos realizar de verdade algo por alguém ou por muitos. Na hora não tive dúvidas ao escolher, e nunca tive a mínima dúvida de que fiz o certo, essa idéia sequer me acossou. Sempre tive plena certeza de que quis isso. Mesmo tendo tanta vontade e me sentindo na obrigação de estar presente num momento único da vida de um cara que também considero irmão. Pra simplificar, entre os irmãos, optei estar com aquele que tinha maior necessidade de ter alguém mais presente. O outro estava muitíssimo bem acompanhado. E isso me faz feliz. Ficar foi bom, foi importante e gratificante.
Enfim, são as situações que a vida nos apresenta e diante delas é que tomamos as decisões, cada um de acordo com a sua consciência, seus critérios e parâmetros de vida. Já diz o ditado, cada cabeça uma sentença. A minha decisão foi esta! E se fiz, tá feito!
Passou. Passou a formatura, passaram os dias de hospital, passaram os dias de preocupação constante, passaram os dias de apreensividade com resultados de exames, passaram as longas horas de viagens, passou tudo, Graças a Deus. É brabo estar longe, se comunicando por telefone e rezando, rezando, rezando e rezando. Fica tudo mais difícil, embora não pareça.
E assim seguem-se os dias, nos dando sempre opções de escolha. Cabe a cada um decidir somente e tão somente pela sua consciência, optando por aquilo que acha certo, que entende ser o melhor pra cada situação. Logo ali na frente somos, estamos sendo e sempre seremos recompensados se realmente optarmos corretamente, podem ter certeza!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Tião, o cão!

Nessa loucura que nos encontramos hoje em dia, de rotinas estafantes e turbulentas, falta de tempo, acúmulo de funções, e tantos outros fatos que somados vão enlouquecendo o mundo atual, já tinha até me esquecido de como é bom cuidar de um animal de estimação. Dá trabalho, dá despesa, dá incômodo, e mesmo assim é altamente positivo e gratificante.
Trouxe pra casa um filhote com pouco menos de trinta dias. Hoje é o quarto dia que ele está fazendo parte do nosso dia a dia e já faz parte do convívio totalmente. Acordo, limpo o canil improvisado, alimento o dito cujo, ajeito os trapos que chamamos de cama, me apronto e saio para trabalhar. Ao meio-dia, retornamos, limpamos novamente, damos comida e brincamos um pouco. O bicho é uma figura! Bem como criança, não sabe o quer e tudo é novidade. Morde dedos, morde barras de calças, rosna pras cadeiras, e quando sai pra rua pegar um sol, aí sim a festa tá feita!
À noitinha, é festa de novo, chegamos, limpamos tudo mais uma vez, e vamos nos ajeitando, e ele na volta, querendo morder alguma coisa pra brincar. Fiz um mordedor de pano pra ele, mas ele não deu muita bola, pois não se mexe, e não se mexendo não tem muita graça. Quando pego na mão e brinco, aí sim, aí é o melhor brinquedo do mundo. Tava com saudades de ter um cachorro. Pudera, fazia seis anos que não convivia diariamente com um. Tô feliz em meio às pulgas, xixis, cocôs e ganidos chorosos da noite. Se bem que ele já não chorou mais, e foi apenas a terceira noite que passou conosco. E tá aprendendo rápido a fazer as necessidades no local certo. Claro, ainda faz no local errado, mas tá aprendendo. E come! Ele manda ver no cocho! Também, ele parece mais um novelo de lã com pernas que um cachorro propriamente, de tão redondo que tá.
Antes que me crucifiquem por deixar ele sozinho durante o dia, já aviso, ele fica muito bem obrigado. O espaço dele é minuciosamente farejado e percorrido durante esse tempo, os panos da cama arrastados de um lado pra outro e colocados de volta sempre. Sim, por ele mesmo. Ele gosta de variar o local da soneca do dia. Hehehe. Com disse, ele é uma figura! E tá fazendo a alegria da casa ser bem mais intensa. Se você não tem um, recomendo, ter um cãozinho faz bem!
Não pelo simples fato do animalzinho estar ali e a pessoa poder dizer “é meu”, e sim pela experiência única que esse convívio proporciona. Cachorros são fiéis, companheiros e gratos. Sentimentos um tanto escassos hoje em dia em nossa sociedade, em nossos nichos de convivência, embora ainda encontrados. Só pra frisar bem: Crie um animalzinho de estimação, mas tenha o discernimento de saber que bicho é bicho e gente é gente, não o chame de filho, nem o trate como membro da família. Trate-o com carinho e respeito, cuide bem, mantenha-o limpo e sadio, mas não se esqueça de exercer esse cuidado com pessoas também, sempre que puder!
O próximo a chegar firme pro convívio é um eqüino. Seja ele crioulo, quarto de milha, mestiço ou comum mesmo. Chega de andar engarupado incomodando a parceria, é chegada a vez de retribuir um pouco toda essa amizade e companheirismo desfrutado até então.
Poderia dizer que ele é o cara, mas não, Tião é o cão! Hehehe

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Dunga é “o cara”!

Sim, provavelmente Dunga errou, como todos erram. Mais que isso, Dunga não teve a sorte que outros tiveram, não teve a sorte de ter os árbitros simpatizando com a seleção, não teve a sorte de ter seus principais jogadores em jornadas inspiradas, em dias de partidas memoráveis. Dessa vez, não teve sorte.
Mas acima de qualquer coisa, Dunga não se rendeu a mandos e desmandos de cartolas e seus “achegados”, que resolvem fazer o que bem entendem dentro de um grupo de atletas em prol de cifras e imagens. Dunga foi Homem, bancou suas convicções, impôs sua metodologia de trabalho, seus conceitos, e junto com sua equipe e comissão técnica, lutou até o final defendendo a moral, a ética, o profissionalismo e a vergonha na cara. Dunga está sendo vítima de ataques por falastrões, humoristas, jornalistas, críticos, comentaristas, dirigentes, oportunistas, apresentadores e outros de qualquer sorte, exatamente por ser diferenciado numa sociedade onde só pode e deve se dar bem os fracos de caráter, os propensos a afagos e agrados, os facilmente influenciáveis, os desconhecedores da existência da moral, da ética e dos bons costumes.
Dunga impôs respeito dentro de seu ambiente de trabalho, blindou seu grupo frente à badalação exacerbada que permeia a seleção brasileira, diminuiu os holofotes sobre seus comandados, trabalhou dentro de uma sinceridade simplista, onde trabalho é trabalho e nele não há espaço para festas e bagunças, e isso feriu os interesses de muita gente, começando pelos interesses da já combalida (do ponto de vista ético) confederação, que possui entre seus comandantes alguns dos indivíduos mais sorrateiros e perigosos da sociedade brasileira e mundial (mafiosos são temidos em qualquer lugar do mundo), e também feriu os de outras instituições de mesmo porte e envergadura. Dunga é severamente criticado, julgado e antecipadamente culpado pelo desfecho do desempenho da seleção na copa exatamente por ter aquilo está em falta em nossa sociedade: Convicções próprias. Sinceramente, é ofensivo a qualquer pessoa que tenha bom senso assistir (não somos obrigados, podemos desligar a TV) e escutar tantas pessoas desfiarem críticas como se fossem semideuses. Me fazem lembrar um velho chavão popular: “Sentado no próprio rabo fica fácil de pisar no dos outros...”
Qual a garantia que estes senhores que tecem críticas e comentários tão severos e inescrupulosos possuem, de que levando este ou aquele jogador a situação seria melhor? Que palestrando aos jogadores de outra forma o desfecho seria outro? Que tudo o que falam é lei ou é melhor do que o já feito? Disso tiro uma conclusão um tanto quanto contundente, e humildemente deixo um recado para Dunga:
Não te abatas com críticas, brincadeiras pejorativas, comentários maldosos daqueles que simplesmente vivem do trabalho dos outros. Estes, apenas podem fazer isso, falar daquilo que outras pessoas produzem, pois não são detentores de capacidade para ao menos tentar fazer.
Finalizo afirmando que Dunga está sendo “malhado” não só por ter sido eliminado de uma copa com a seleção brasileira de futebol, e sim por ter hombridade, personalidade, sinceridade e ser uma pessoa simples, que diz não sem se preocupar a quem.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Acervos compositores

Sou muito mais que todos vêem
Sou bem menos que muitos imaginam
Sou pouco daquilo que pensam
Sou muito daquilo que faço
Tenho nada daquilo que produzo
Tenho tudo daquilo que entrego
Sou corpo “flaco” que queda no pealo
Sou alma luzidia que “se agranda” no tombo
Fui “solto das pata” quando guri
Fui metido a aragano já rapazote
“Andêmo” na forma, “ladeado”
Lidando forte, puxando “das idéia”
Tenteando “os pila” curto, forcejando na caneta
Empurrando a indiada no bico da bota
Fazendo acreditar muita “tipagem” acomodada
Que boa vontade ainda dá roda de carreta
Pros mais chegado, folga e brincadeira
Pros mais arredio, mão estendida e parceria
Pros mais vaidoso, “bamo” trabalhando e “deixamo” de lado
Pros bom de lida, vistaço, pros bom de charla, orelha
Pros bom de copo, garçom, pros bom de garfo, cozinheiro
Pra mim, eu mesmo, do meu jeito, quieto e “peleando”. Sempre!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ser Melhor

Quantas vezes pensamos em desistir

Deixar de lado o ideal e os sonhos

Quantas vezes batemos em retirada

Com o coração amargurado pela injustiça

Quantas vezes sentimos solidão

Mesmo estando cercado de pessoas

Quantas vezes falamos, sem sermos notados

Quantas vezes lutamos por uma causa perdida

Quantas vezes voltamos pra casa

Com a pesada sensação da derrota

Quantas vezes aquela lágrima teima em cair

Justamente na hora que precisávamos ser fortes

Quantas vezes rogamos à Deus força e iluminação

E as respostas sempre vêm de formas diversas

Um sorriso, um olhar cúmplice, um bilhete, um gesto de amor

E insistimos. Insistimos em prosseguir, acreditar

Transformar, dividir, estar, ser, permanecer

E Deus insiste em nos abençoar

Em mostrar nossos sinuosos caminhos

Mesmo sendo o mais difícil, complicado

E também o mais lindo, gratificante

E continuamos, porque sabermos

Que cada um de nós carrega na alma

A missão de ser melhor, bem melhor, a cada dia que passa.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Coisas tantas

Quero tantas outras coisas, diferentes das que jamais quisera. Hoje quero coisas tantas e tão mais simples. O andar tranqüilo, o sabor de algumas delícias, o gosto bom da tarefa cumprida e o cheiro de sonho pra realizar. Talvez um refúgio no fim de semana, um colo de amiga, fotos para recordar. Quero outras coisas tantas, tão mais singelas. Nada complexo, convexo, abstrato, nada distante, nada acabado, nada além do que uma alma precisa para existir.