domingo, 10 de maio de 2020

Mãe Terra

Somo todos frutos dessa terra
Da Mãe Terra, generosa e resignada
De seu poderoso ventre fecundo
Germina, brota, pari, descasca

Pra quem se permite visualizar e entender
Na face feminina do astral deitar seu saber
Que para existirmos, há que gerar e fazer
Logo, Mãe Terra passará a compreender

Somos almas errantes que se tolhe
No denso infinito da parca existência
Generosamente, Mãe Terra nos acolhe
Emanando sua gloriosa providência

Somos únicos naquilo que definiu existir
E Mãe Terra nos conhece bem direito
Um por um, cicatrizes, sinais e feitos
Marcas, características, qualidades e defeitos

Somos hoje, formas disformes da matéria
Mãe terra assim há tempos nos permitiu
Por mansidão e carinho, de forma séria
Na história marcar o que caridosamente existiu

E aqui nos encontramos, todos sem exceção
Vivenciando o vagaroso andar de uma era,
Cada um sabendo a espera, sem exaustão
De futuros exitosos e certos, como pudera

Pois por mais forte que puder existir
A estrutura complexa e inteira de um ser
Ainda terá que primeiramente acontecer
De Mãe Terra primariamente lhe permitir

E Mãe Terra, por inteira bondade infinita
Em seu valor altamente incompreendido
Permite resignadamente, e proscrita
Que cada um possa ter seu seio bendito

Mãe Terra nos concede, abençoadamente
Por zelo, cuidado intenso e compaixão
Que tenhamos cada um, aqui neste chão
A nossa Mãe, única e inexoravelmente

Pra nos ensinar amar incondicionalmente
E até mesmo o indivíduo mais descrente
Nesse ponto, se convence tacitamente
Que é pra viver o agora, calmamente

E Mãe terra avisa, ninguém vira semente
Sem contar com um único ventre materno
E por mais que se vislumbre o eterno
A natureza de uma Mãe jamais desmente

Mãe terra é assim, gera, cria, ampara
Recebe de volta, dá guarida, consistência
Dá seguimento em nossa vil existência
Ensina, reconhece, aponta, nos prepara

Mãe terra se faz onipresente a cada minuto
Através desse ser surrealmente magnânimo
De atitudes afáveis, e objetivo quase ufânico
De cumprir o desafio, de ser Mãe, por absoluto

E por assim ser, à Mãe terra agradecemos
Por nos proporcionar essa inenarrável experiência
Conhecer o amor em sua mais terna essência
Nos dar uma Mãe, pois juntos com ela, acontecemos
Somos unicamente amor, por toda uma existência!

sábado, 9 de maio de 2020

Máscaras

Sempre fui um adepto convicto de jamais usar máscaras, nem em baile. Talvez pela criação, talvez pela vivência, talvez por ambas. Sempre tive a ideia fixa de que máscaras servem apenas para atenuar um fato, burlar uma regra de convívio, esconder algo, deixar de demonstrar uma faceta, entre outros atributos. Claro que, há casos e casos. Não vamos entender tudo com extremismo. Máscaras de festas infantis, com intuito real de diversão, por exemplo, ficam fora desse contexto. Aqui, me refiro muito mais às máscaras “invisíveis” que tanto presenciamos em nossas sociedades. Àquelas utilizadas por diversos atores sociais, em diversos locais e diversas situações, a fim de tapearem ou dissimularem suas reais intenções. Estas máscaras, jamais devem ou podem ser aceitas. No contexto atual, o fato é que estamos tendo que usar máscaras. Para preservação da saúde. Tanto a nossa quanto a do outro. Um gesto empático e altivo. Lindo, não fosse a obrigatoriedade legal, que tornou imperioso o uso. Salvo aquela parcela da população que por ter alto nível de conscientização e educação social já utilizava anterior à obrigatoriedade, estamos, todos (sim, eu também), usando para cumprir uma determinação. E assim sendo, nosso gesto, embora sadio e eficaz, se faz menor, nos tira o brilho e nos coloca numa espécie de “limbo”, para dizer o mínimo. Estamos dentre aqueles que proferem o chavão “uso pra não me complicar”, ao invés dos ovacionáveis “uso para proteção”. Complicado né meu povo? Enfim, é isto. Entender para aprender, já dizia o sábio. Diante dessa situação, as máscaras, que sempre apresentaram a necessidade de serem tiradas, precisam ser colocadas, utilizadas, usadas, higienizadas, reaproveitadas! Sem dó e nem piedade. Sem moderação, para continuar nos chavões em voga. A ressalva de que queremos continuar tendo as orelhas em perfeito estado também é válida, já que tem certos modelos que deixam a pessoa “cabana”, de tão forte ou tão curto que é o elástico que sustenta o artefato. Finalizando, temos as ações louváveis e dignas de divulgação. Principalmente duas: A primeira, a criatividade da nossa gente. Tem aparecido e sido feito um sem fim de modelos, estampas, cores e formatos delas. Alguns surpreendentes, inclusive. Parabéns à todos que se empenham e demonstram sua capacidade através da criação. Vocês são diferenciados. A segunda ação, são as doações feitas. Inúmeras. De empresas, de companhias, de clubes de serviço, de associações, agremiações. E também de pessoas físicas, algumas inclusive com limitações financeiras, que doam seu tempo e seu trabalho manual para confecção de máscaras. Parabéns pessoal! Vocês são, involuntariamente, responsáveis por mantermos acesa a chama da esperança na humanidade. À todos, obrigado pelas máscaras protetivas! Estas reais são de grande proveito e utilidade. As outras, seguimos aprendendo a identificar, a fim de derrubar com classe, as imaginárias, que insistem em permanecer coladas às faces dos que as alimentam e sustentam. Continuaremos usando somente as reais, obviamente!

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Pelos Meus

Um dia, por vivos, abraçamos
Um dia, por vivos, gargalhamos
Um dia, por vivos, nos sentimos
Um dia, por vivos, nos lembramos
Um dia, por vivos, contamos
Um dia, por fazer, degustamos
Um dia, por fazer, sorrimos
Um dia, por fazer, brincamos
Um dia, por fazer, cantamos
Um dia, por fazer, pulamos
Um dia, por agir, emocionamos
Um dia, por agir, fizemos sentir
Um dia, por agir, demos exemplos
Um dia, por agir, pegamos forte
Um dia, por agir, olhamos além dos olhos
Um dia, por estar, trocamos gestos
Um dia, por estar, aprendemos juntos
Um dia, por estar, somamos em algo
Um dia, por estar, trocamos muito
Um dia, por estar, abraçamos todos
Um dia, por ser, demonstramos
Um dia, por ser, externamos
Um dia, por ser, exemplificamos
Um dia, por ser, ensinamos
Um dia, por ser, amparamos
Um dia, ao ser, protegemos
Um dia, ao ser, cuidamos
Um dia, ao ser, regemos
Um dia, ao ser, equilibramos
Um dia, ao ser, sustentamos
Um dia, por ter, amadrinhamos
Um dia, por ter, encampamos
Um dia, por ter, melhoramos
Um dia, por ter, reerguemos
Um dia, por ter, refazemos
Um dia, pra sempre, amamos!

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Retrovisor

Era domingo, me lembro bem
Chovia tanto como hoje
Por novidade, tudo era princípio
O momento que ali, se dava início
As companhias, se chegavam
Em meio aos dias que se iam
Dali por diante, os tempos andavam
O tempo, por sábio se fazia
Guardava grandes ensinamentos
Para oferecer no alvorecer
Nas certezas erradas dos momentos
Quando a alma quis encrudescer
E os pensamentos ficaram turvos
Mudanças, por mais dolorosas
Deixam saldos que não são rubros
Na grande maioria das vezes
Não conseguimos ver de imediato
As modificações nos moldando
Ensinando, erguendo, forjando
Somos deveras pragmatistas
Precisamos prazos, vamos fixando
Ao invés de nos dar conta, ser realistas
Do que nos acontece e nos rodeia
É como se o tempo e seu transcorrer
Fossem um retrovisor a refletir
Nosso caminho percorrido
E os olhos que lhe miram
Se desfocam, se perdendo
Lembrando, se dispersando
Por tudo que se viveu
Buscando racionalizar, compreender
Para desse mesmo tempo
Tirar proveito através de si
Aprendendo e entendendo aqui e ali
Que tudo na vida, vem para o bem
Que o astral somente nos propicia
Conhecimento e crescimento, nada mais
Nos basta entender, aceitar e agradecer!

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Quando a vontade vence o receio

Podia ser um sábado qualquer, desses dias buenaços de sol, que o tempo consome de largo, pois tudo que é bom se vai rápido em nosso vil entender. Mas não, era um sábado de maio, gaúcho em quantia. E por gaúcho se parou. Mate ao amanhecer, tironeando o friozito do campo, ajeitar a bicharada pra que passem bem o dia, pois quem quer ter, tem que saber cuidar e se prestar pra isso. Aprendi com meu pai. Estradeando, na cruzada um beijo, um afago e o trato pro amanhã com os pequenos. Razão do nosso viver, presentes de Deus! E se chega no destino morredor do dia. Um assado bem gaúcho no restingal. Fogo de lenha buena, carne no espeto do jeito campeiro. Água da bica, do jeito antigo. Charla, causo, e bóia de fundamento. Arrebanhar a gadaria, oferecer um trato singelo. Abrir o peito chamando a cavalhada. Devagarito, a parceria vai se chegando. A pé, à cavalo, de camionete. Quando o sol “froxa o tento”, a encilha da matungada toma forma. Na falta de freio, de buçal mesmo. De laço nos tentos, ao passo devagarito, “se vamo”. Por manso e sujeito, estendemos o laço e se vamos arrastando, pra apertar o tento e trabalhar a trança. No mais, a fome da indiada ganha vaza, e começa a cantar portão. Por receio, apeio. Nessa de faltar freio, cambiamos cabeçada e rédea pelo buçal um do outro. A novata não sabe muita coisa, e fica com medo de lidar de corda. Como é negociação do patrão, faz bem quem auxilia e não se mete na conversa. Nessa cambiada, por falta de atenção, tá o cavalo pra dentro da pista. Monto de novo, com intenção de sair, e justo nessa hora refuga um osco, bem do meu lado. Eu que tava quieto, resignado. Firme na intenção de dar mais tempo pro retorno, sou pego de surpresa pelo inusitado da situação. Atraco o gateado, pra fazer o boi andar, e me pedem de imediato que leve pro fundo. Saio, e como cavalo bom sabe do serviço, vai acompanhando o tranco do boi. Primeiro galope depois de cerca de um ano. Tudo bem, tudo certo. Nessa mescla de desconfiança, vontade e fome de corda, faço a armada e no retorno, de bate pronto, saio cutucando o barroso com o bico da bota. É ponto! Chego no fundo, avalio. Tudo bem. Venho de volta, mais uma boa. Penso, avalio e entendo que é hora de ser prudente. Enrodilho o laço, apeio e encerro as atividades. Avalio com o patrão: De canhota, de buçal, e duas positivas. Tá valendo mais o gateado! Hehehe. Passa um tempo, vamos auxiliando no serviço de mangueira, até que o patrão retorna, agora de freio, e pede que pegue novamente. A vontade vence o receio. Mais quatro pegadas. Duas, uma e uma. Tá ótimo pra um retorno. Treino feito. Volta realizada. Tudo bem, tudo certo. Tudo nos conformes. Sem dor, sem desconforto. Uma ressalva para a montaria. É de fundamento. Cômodo, calmo, domado e meio. É pingo e pico! Pingo de lei, de valia e de valor. Corre lotes de bois e “malemal” bota suor na xerga. É montaria de patrão! Faz bem em recusar qualquer proposta. Um pingo, quando lhe serve pra qualquer circunstância, não tem preço que pague a serventia. Não por acaso, é gateado. Não por acaso, é cria dos TJ. É pêlo da tradição e marca de cavalo bueno! O rodeio que me aguarde! Vamo que vamo!

terça-feira, 5 de maio de 2020

Ciclos existem

Ciclos existem. Sempre existiram e sempre existirão. Com vários e diversos intuitos e objetivos. São os recortes de tempos que nos oferecem oportunidades também diversas. Depende de cada um, em seu momento de vida, sua visão e forma de entender as situações, fazer suas conjeturas e retirar delas seu aprendizado, suas certezas, seus pontos de vista e por aí vai. De fato estes momentos não tem prazos definidos com datas marcadas de início e fim. São cíclicos, e se entrelaçam com os outros que estão entrando e saindo de nossas vidas. São inclusive, vividos de forma intermitente e concomitante, dado a quantidade dos mesmos que se apresentam durante uma vida. Ou seja, não há o fim de um para o início de outro. Fim e começo se entrelaçam. Um vai ficando e o outro vai iniciando. Os resquícios do que fica andam junto, assim como o que marca o atual vai contrapondo e aos poucos tomando conta, até que o próximo venha se enredar nos meandros do tempo. Entremeando isso, as vivências que se acumulam tendemos a chamar de experiência, sejam elas positivas ou não. Até porque, a positividade dessas experiências e seus viés são obras da particularidade e livre arbítrio de cada um de nós. Em cada momento. Em cada situação. Vibramos a energia que temos conosco, nada mais justo. Cuidar da nossa energia, não dar entrada para as negatividades são exercícios diários, com os quais vamos aprendendo a lidar através do decorrer do tempo. É necessário boa dose de esforço para trazer esse comportamento para o dia a dia e fazer dele rotineiro. É possível e compensador. Faz com que passemos e vençamos os ciclos de forma mais leve e saudável, para mente, corpo e alma. Talvez esse seja o maior aprendizado que tenhamos a internalizar. Ficar com o sentimento de leveza permanente. Não a ponto de tratar tudo de forma rasa, e nem a ponto de não se importar com nada (percebem a dificuldade de equilibrar?). Entretanto, todos sabemos e vivemos provações suficientes para saber que os vai-e-vem, os altos e baixos, as provocações e fatos tentadores se passam diariamente, a fim de nos testar. De nos melindrar. De nos desequilibrar. Aí entra a questão de estarmos dispostos a utilizar nosso aprendizado, de mostrar que temos força mental e sabedoria emocional para manter o equilíbrio frente à eles. Nada fácil. Mas possível e salutar. Peço que não me interpretem mal. Não estou sugerindo que sejamos pessoas de sangue doce eternamente, muito menos que passemos por débeis frente aos demais. Não é isso. Há situações que necessitam que aflore nosso lado “sanguíneo”, que pedem nossas ações mais enérgicas. O que não podemos é confundir ou entender que nesses momentos podemos ou precisamos usar de maldade ou má fé. Jamais! Mesmo nos momentos mais difíceis, quando as situações vão à extremos, ainda é possível deixar o bem falar mais alto. É a imposição forte e resoluta, porém gentil e educada. Nada mais. Respeito e educação, sempre! Nada, nada, nada fácil. Mas nada fácil mesmo. É um dos grandes mistérios da vida. Como sermos melhores a cada dia. Aprender a ser uma pessoa melhor a cada dia, mesmo com todos os revezes e tombos. Talvez seja esse o legado maior de cada ciclo vivenciado: Nos dar condições de ser alguém melhor.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Faça!

Com essa de quarentena, fique em casa, permaneça no teu espaço e por aí vai, temos visto muitas coisas boas partindo de grandes pessoas (ruins de muitos também, mas isso é problema deles e não merece exaltação, nunca!), e várias dessas são responsáveis por manter nossa esperança na sociedade, no ser humano, nas pessoas, acesa! A bondade é decorrente do amor, e sem amor o mundo não é e nunca será um lugar de bom convívio. Enfim. Como estamos em época de digitalização extrema, o que tá pegando são as “lives”. Em casa, em estúdio, em palcos, em jardins, em sítios, no lugar e no local de preferência de cada um. E muitas dessas têm o intuito de arrecadar alimentos, somas, e outras doações para auxiliar quem realmente necessita. Nada mais louvável. Vejamos a situação. Artistas que vivem de seu trabalho ao vivo, dependem de poderem apresentar este trabalho, e devido à situação, estão impedidos. Foram alguns dos primeiros a parar e muito provavelmente serão dos últimos a retornarem. E ainda assim, se dispõem a contribuir com sua arte para que outros, portadores de parcas condições sejam favorecidos. Baita atitude! Tá, eu sei que há os que recebem pra isso, sei que há os que fazem porque não sabem fazer outra coisa, e blá blá blá. Pouco importa. Estão fazendo! Enquanto a imensa maioria dos que criticam estão somente criticando. Não são capazes de usar o famoso e célebre t.b.c*. A atitude é louvável sim. Acompanhando estes artistas há um sem número de pessoas que vivem do trabalho prestado em função das apresentações. E estes também passam dificuldades. Acima de todo esse debate de ser certo ou não ser tão certo, há a atitude. Graças à Deus há a atitude. E esta é das grandes. Agem para contribuir com outros. E muitos desses outros são desconhecidos. É generosidade. É abnegação. É de se ressaltar e aplaudir. É fazer o bem sem olhar a quem. É sair do discurso e partir para a prática. Parabéns à todos. Sincero, honesto e profundo parabéns! E fica o pedido, para todos que assistem uma ou outra: Contribuam! Sempre tem gente precisando. Em momentos como esse ou fora dele, necessitados sempre existem! Se não contribui na “live”, contribua ao seu redor. Se não com valores, com algo que auxilie. Roupas, calçados, agasalhos, utensílios, móveis, eletroeletrônicos sem utilização (quem não tem?). Pode, inclusive, ser com parte do seu tempo, da sua atenção. Pra muitos, isso é mais que bem-vindo. Tem gente que não quer valores e nem objetos. Tem gente que quer somente atenção. Tem gente que quer um ombro amigo. São as múltiplas carências do ser humano. E quem quer doa. Quem quer faz. Quem quer, dá um jeito. Quem não quer, dá uma desculpa. Uns agem, outros se esquivam. Uns por iniciativa, outros por acompanhamento. Pouco importa. Agir é sempre necessário. E tu, te enquadra em qual turma hoje em dia?

*t.b.c. – tirar a bunda da cadeira – forma irônica de incitar a ação.