sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Longos e Rápidos Cinquenta

Se finda o agosto, e com ele os dias de frio hão de amenizar
Embora não tenhamos tido muitos dias de frio intenso nesse inverno
Os que vieram serviram de motivo para o fogo aquecer o ambiente
Amenizando as longas madrugadas de sonos curtos e conversas longas
Os dias compridos de colo, choros, resmungos e sonecas
Contraponteando com as noites de embalos e apegos, trocas e asseios
Preparos, risos, momentos de coração apertado e “orelhas em pé”
Tudo válido, tudo passado, tudo aprendizado, tudo experiência
Primeiros cinquenta dias, primeiras cinquenta noites, primeiros cinquenta tudo
Apreensividade? Sim, muita. Preocupação? Também. Intranquilidade? Talvez.
Alegria, satisfação, regozijo, felicidade! Em doses cavalares, a cada momento.
Saudade de estar em casa, coisa inédita até então, a todo instante.
Sensação de vazio, de estar ausente, sentir falta de estar junto ao lar
No seio familiar, em casa, junto deles. Carregar no peito essa angústia boa,
Essa sensação de responsabilidade que paira sobre os ombros
Que norteiam os pensamentos e aguçam os sentidos
Como já dito: Muda tudo sem mudar nada! Mas muda pra melhor!
A cada contato, a cada cheiro, a cada olhar tudo se compensa,
Esvai-se o cansaço, some a preguiça, escorre o peso da rotina
Tudo se transforma em felicidade, alegria e emoções
Benza Deus! Como pode? Como isso acontece tão rápido e simples?
Que tipo de milagre opera um bebê? Que dom de magia carrega uma criança?
Só vivendo esses momentos para encontrar a resposta. Palavras não traduzem
Palavras saem pueris ao tentar descrever esses momentos
Nem o maior dos poetas é capaz de exprimir em versos esses acontecimentos
Pois a vida meus amigos, a vida é pra quem quer e se digna a vivê-la!
E momentos assim só encontram explicação e entendimento sendo vividos!
Que continuem a durar a eternidade que cada um lhe confere!
Que se multipliquem o quanto for permitido!
50
500
5000
50000
500000
5000000...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Pra Quem Chega

É inexplicável a sensação e indescritível a emoção
Pegar nas mãos e trazer junto ao peito aquele ser diminuto
Com aqueles olhinhos agitados, movendo-se sem parar
(sim, tinha olhos abertos desde que nasceu)
Minutos após vir ao mundo e tudo está transformado
Mudou tudo sem nada mudar. E não me perguntem o que...
Não sei dizer, embora sinta e saiba muito bem!
Responsabilidade, apreensividade, preocupações
Mas essas vêm e vão, conforme os dias passam
Ficam guardadas como aprendizado e experiência
E assim devem ser vividas, para compor a existência.
Bem mais que estas; as que ficam em primeiro plano
São as alegrias, os momentos felizes...
Estas que te trazem a sensação de que o chão sumiu
O cérebro entra numa espécie de colapso benigno
Uma avalanche emocional percorre o corpo
Uma imensidão de sentimentos se confunde
O corpo fica em estado total de alerta
A mente fica irrequieta pra todo o sempre
E nada no universo pode ser mais lindo
É o momento mais sublime da natureza
É uma dádiva recebida eternamente
Uma manifestação da bondade Divina
Ter um filho é sem dúvida nenhuma
A melhor experiência que se pode viver!
Que nosso amor possa te servir de escudo
Nosso amparo de estrivo firme
Pra sempre seguir adiante, lutando
Seja bem vindo Filho amado
Que Deus te abençoe, te ilumine
Te guie e te conduza sempre em bons caminhos.

domingo, 13 de maio de 2012

Retorno Aos Pagos

Tchê, Eu tava com saudade! Muita saudade!
Foi bom rechegar pros lados do pago
Sentir o calor da parceria da vida toda
Poder brincar e gargalhar sem receio
Escutar aquele fundo musical aprazível
O tinido do portão, o retumbar dos cascos
O assobio do laço cortando o ar em movimentos repetidos
O narrador, parceiro, levantando teu ego
Exaltando teus feitos, tuas lutas de tantos tempos
Pondo pra cima os teus, a tua gente, o teu sangue
Aquelas palavras carinhosas fazendo brotar com força
Um filme nas retinas em frações de segundo
Aqueles galopes, rápidos, certeiros, despertaram
Várias passagens adormecidas, guardadas nos rincões da alma
As armadas positivas foram apenas o complemento
De um fato superior, maior, grandioso e valioso
Que te ajudam a relembrar, reafirmar e reforçar
Teus valores, teus princípios, tua essência, teu ser
Os esteios que forjaram teu caráter, tua personalidade.
É bom! É inexplicável como nos faz bem, apesar de tudo.
Salve Parceria Campeira, Ave Rodeio Crioulo!
Salve cavalhada gaúcha, Ave Rio Grande Gaudério!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O partir

Nem sempre se faz simples entender o porquê de muitas causas e situações
Também faz parte do íntimo da natureza do ser humano querer mais e mais
Querer mais tempo, mais ensinamentos, mais convívio, maiores desfrutes
E quando a lei da existência age inesperadamente sobre nossas cabeças,
Perdemos o chão, nos sentimos desamparados, nocauteados, vacilantes
Essa é a dureza da vida, esse é o enfrentamento cruel, visceral e dilacerante
Que nos é imposto quando nascemos, para ser sentido aos poucos durante a existência
Nada aplaca, nada conforta, nada ameniza, tampouco fará retornar, reviver...
Destino? Caminho escolhido? Opção? Não! Apenas realidade existencial!
Simples assim, embora duríssima, dolorosa e amarga realidade da vida.
De conforto há de nos sobrar os chegados, os queridos, os afetos, os amores
Estes que irão nos ajudar a enfrentar as dores, a superar dificuldades
Firmar nossas pernas, amparar nossa queda e nos conduzir de volta ao caminho
Desabados, sem ânimo, vencidos pela tristeza, nos resta olhar adiante
Rumar junto a estes, para poder achar novamente o sentido da vida
E nisto, nessas horas pesadas, frias, desumanas, buscar um sopro de grandeza
No fundo da alma para arejar a memória e nela deixar transparecer somente
As lembranças e imagens positivas, os sorrisos guardados, as gargalhadas partilhadas
Os bons exemplos, as lições aprendidas, os ensinamentos ganhos, os valores recebidos
E, mais que isso, firmar compromisso sério e irrevogável com nosso próprio íntimo
De pegar tudo isso e transformar em ações e atitudes, para repassar aos que virão
Lembrar de pedir em prece que sejamos agraciados tanto quanto estes que partem
Para que possamos ser também pessoas boas e de bem, seguindo seus ensinamentos
Dando continuidade, renovando, perpetuando as linhagens, as raças, as famílias.
Se possível for, o que de melhor podemos fazer para reconfortar-nos é agradecer...
Agradecer pela oportunidade de termos tido esses momentos únicos de convívio
Agradecer pelas oportunidades que tivemos de aprender ao lado destes
De vivenciar seus ensinamentos na íntegra, com exemplos, atitudes, gestos
Palavras, olhares, jeitos, trejeitos, expressões, manias, vontades, gostos, sabores
E tudo de positivo que tivermos a capacidade de trazer guardado e levar adiante
Assim é, assim foi e assim será. Essa é a lei da vida. Chegamos, vivemos e partimos.
Sem data, sem hora, sem momento, sem jeito.
Cabe a cada um buscar dentro de si a melhor maneira de com isso conviver
E sim, a dor forte faz parte da vida
Ninguém é preparado para lidar com a perda...

sábado, 26 de novembro de 2011

Do Céu Chegam Notícias

Na paz do rancho, em meio à rotina normal
Dá-se conta do atraso e se fica bem desconfiado
Como debate não adianta, se parte pro exame
Dito e feito: “Estamos ligeiramente grávidos!”
Pensamos em noticiar devagarito, aos poucos
Conforme a hierarquia familiar, por consideração
Avôs com sua felicidade estampada, fiel e contida
Avós sorriem e gargalham imensamente
E a notícia se espalha com velocidade espantosa
Tios, avós, primos, amigos, compadres, parceiros
Dali por diante, os telefones não param mais
Pra não dar impressão de preferência ou esquecimento
Comunica-se a todos os demais de uma só vez
E assim vamos adiante, aguardando essa chegada
Interessantemente, ao chegar a confirmação da suspeita
O chão não se abriu, e sim se elevou
A notícia não causou desespero nem desconforto
Inquietude talvez, ou um pouco de susto imediato
Mas tudo tranqüilo, tudo superável e suportável
Guarda-se o saber de que adiante é que virão dias de insônia
As noites de vigília, os dias de cuidados e apreensividade
A interminável sensação de responsabilidade
Mas, a despeito disso tudo, dá-se ouvidos a sabedoria popular
Onde, em uníssono todos nos falam e recomendam
É a experiência mais linda da vida, é sensação inigualável
E aqui estamos, prontos e aptos (vai saber...) a vivê-la
Em corpo, alma, fé, esperança e amor!
Que transcorra sem maiores sobressaltos!
Amém!
Grande abraço à todos!

sábado, 2 de julho de 2011

Estropiada...

Pra encerrar o feriado, uma brincadeira sadia
Reunir-se e meter corda com a parceria
Uma visita ou outra sempre aparece
Pra ajudar a aumentar o riso e a folia
Encilhar os pingos, reunir toda a boiada
A indiada se apressa em ajeitar as cancelas
E os campeiros desapresilham e arrumam as armadas
Num upa o primeiro chega e sai pedindo tampa
Na poeira do rastro o outro já atropela e encordoa
E toma forma a brincadeira de quem é chegado num basto
Sempre “cambiamo” os da lida com os do laço
Uns lidam na mangueira e outros correm na cancha
Pois nesse meio o companheirismo é praticado com sobras
E foi numa dessas corriqueiras desdobras
Que se confiou forte “nas tralhas”
E num repente, bem quando a sorte deu falha
O índio velho se veio de encontro ao chão
De supetão, sem esperar, estourou a argola do loro
E faltou estrivo na hora de cerrar a argola na orelha
O pretinho corria bem, mas era fraco de aspa
O laço caiu certeiro, e de medo de perder a armada
Quis cerrar pelo outro lado, fez peso pra bolear e se foi...
Ao bater no chão, parecia queda de nada
Sem conseqüência, cai, levanta e vamo de novo
Mas não foi assim que se sucedeu o destino
Ainda estendido na grama, a dor veio braba
O movimento se perdeu, e a direita velha esmoreceu
Tamanha era a dor que chegou a dar vertigem
E o olhar assustado de quem tava por perto
Dava ciência da gravidade do quadro
Ao conferir com o “Seu Doutor”,
Veio o diagnóstico: uma paleta fora do lugar
E um “purso c’as duas cana quebrada”!
Estragou a brincadeira, e deu dias de recolhimento
Causou constrangimento e atrapalhou no serviço
Mas quem imaginava, que um passatempo sadio
Num dia de sol bonito, depois de uma festança
Ia transformar um “home véio” de volta numa criança!
Ajuda pra tomar banho, pra vestir
Cuidado ao deitar, ao sentar e ao comer
Nem o próprio mate consegue fazer
Eta situação maula, tenebrosa, brasina!
Ficou o cuera a mercê dos cuidados da china
Os mais tranqüilos dizem que faz parte da vida
Os mais deitados falam que foi o peso do ferro no dedo
Mas a bem da verdade até hoje ninguém sabe
Se foi por loucura ou felicidade que se deu todo o enredo!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

90 Anos

E se vão nove décadas
De lutas, de esforço
De tombos, de pedras
De afagos, de rezas
De belezas, de plenitudes
De dificuldades, de alegrias
De reuniões, de afinidades
De austeridade, de teimosias
De andanças, de construções
De simpatias, de ensinamentos
De malogros, de benzeduras
De trabalhos, de conhecimentos
De patriarquismo, de sobriedade
De família, de esposa
De filhos, netos e bisnetos
Uma trajetória de muito amor!